segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ato I - Feras.

Os olhos encontraram os dela.
Segundos de tensão. Apreensão.
Reprimiu o desejo e a encarou.
Olhos profundos e felinos...

Uma fera, sem dúvida.
Bela, como todos os perigos da vida.
Selvagem na essência, quente no âmago.
Com seus olhos belos e ardentes.

Seguiu-lhe um arrepio característico.
Medo, ódio ou talvez arrogância.
Caminhando em sua direção, delicada e mortal...
Como são as feras de olhos inteligentes.

Seu movimento paralisou seu corpo.
Seu aroma paralisou seu cérebro.
Seu corpo paralisou seu pensamento.
Seu olhar paralisou sua vida.

Nunca pensou em nada assim.
Mas ela o pegou, felizmente.
Acabou com teu sofrimento.
Fera, bela e felina. Como deve ser.

Um comentário:

[P] disse...

U-i!

Não sei até onde deve ir a coragem de alguém que se aproxima de feras. Mas sei de uma coisa: uma vez confiantes, as feras não suportam um virar de costas, uma indiferença de quem já chegou a lhe oferecer mãos, corpo, coração. E não é que não suportem e sejam tomadas de fúria devastadora. Não suportam e, dóceis, encolhem-se num canto e choram.

[Foi um parágrafo cheio de entrelinhas. Como ouvi uma vez... "vire-se aí"]

=***

ps: e sim, é triste não ver a Lua refletida...